Estudante que agrediu árbitra não foi preso e nem expulso

O clima na Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPA), no litoral do Piauí, tem sido de impunidade, segundo relatos do próprios estudantes nas redes sociais. O motivo seria porque o estudante de engenharia de pesca, Rodrigo Quixaba, continua a andar livre e normalmente pelos corredores do campus. Em junho, ele foi acusado por agredir à socos o rosto da árbitra Eliete Fontenele, após um jogo de futebol.

Nesta segunda-feira (19), em protesto a permanência de Rodrigo na universidade, outros estudantes espalharam cruzes, onde gravaram o nome impunidade. Cartazes com as palavras “Cuidado, temo um agressor no campus”, também foram dispostos pelo local. A insatisfação dos alunos se dá pelo fato de Quixabá ter agredido uma mulher dentro da UFPI e não ter sido expulso. Segundo informações apuradas pelo OitoMeia, o rapaz apontado como agressor da árbitra também não chegou a ser preso, apenas se apresentou na delegacia e foi liberado em seguida.

O caso onde Rodrigo Quixaba agride covardemente a árbitra Elite foi destaque nacional e chegou a ser repercutida pela Folha de São Paulo e G1. Na época, o reitor, Alex Marinho, disse à imprensa que um processo de sindicância seria aberto para apurar o fato, o que poderia resultar na expulsão do acusado.

Na época, por telefone,  o irmão do acusado, Henrique Quixaba, pontuou o direito do irmão a prestar um posicionamento antes de que a instituição bata o martelo.

Ele também destacou que Rodrigo estaria “assustado” e “com medo”, pois teria sofrido diversas ameaças, especialmente através das redes sociais. Segundo o advogado, o irmão temeu até mesmo sofrer um linchamento.

VEJA NOTA DOS ALUNOS NA INTEGRA!

Diante dos acontecimentos ocorridos nos últimos meses, é necessário fazermos frente à violência contra a mulher. O ocorrido não foi o primeiro evento onde mulheres dentro da UFPI foram constrangidas e violentadas, sendo que nada foi feito para nos proteger e contra aqueles que cometeram os atos.

Agora estamos diante de um cenário ainda mais grave, onde há a prova inequívoca da agressão cometida por um discente contra uma mulher e só o que resta depois de meses do ocorrido é a sensação de impunidade, de que embora ele tenha apresentado comportamento violento, ainda pode transitar pelos corredores, como se nada houvesse acontecido.

É absurdo que em um contexto universitário tenhamos que falar coisas óbvias, que tenhamos que demonstrar repúdio contra agressões e violências e tenhamos que exigir reparação. É absurdo que depois de um ato tão agressivo pareça que nada mudou, que alguém pode ferir outro e seguir seus dias normalmente.

O Estado para garantir a segurança de todos nos impôs um código que devemos seguir, para que não machuquemos uns aos outros. Entretanto, quando violado, o individuo que o fez é punido com os rigores da lei, de forma condizente ao crime cometido. Isso ocorre para que a pessoa não volte a incorrer no delito praticado e também como exemplo para toda a sociedade. Obviamente que isso parte de um campo puramente teórico parece ser do seu interesse nos proteger.

Onde nossa dor e voz são constantemente silenciadas. Demorou séculos até as mulheres serem reconhecidas como pessoas de direitos, como um indivíduo a parte de pai, irmão, marido. Nos proibiram de estudar, de trabalhar, nos silenciaram e nos agrediram e diziam que tínhamos que tudo suportar. Fizeram uma lei com o intuito de nos proteger, mas esqueceram de educa-los para nos tratar como pessoas, ao invés dos objetos que por tanto tempo fomos reconhecidas.

Com informações OitoMeia

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